“Entramos em desespero,
mas, daí em diante,
tivemos que fazer
outras coisas,
desenvolver outros
meios de sobrevivência.”
E a minha vaquinha foi pro brejo. Durante quase quinze anos fiquei
lá... assistindo o mundo ferver através da janela e da cortina fechada!
Quando eu ousava chegar perto dela, via um mundo tão grande,
agitado e movimento do lado de fora que até me assustava. Sempre pensava o que
estou fazendo aqui que não estou acompanhando essas pessoas? O céu azul,
brilhando... hoje é dia de praia! O céu cinza, chorando... hoje é dia de pipoca
com filminho na TV. Sexta-feita!? A libertação
da "prisão sem grades": da janela e da cortina fechada.
Mas eu tinha que estar lá, grudadinha na minha vaquinha,
literalmente tirando e levando para casa o “leitinho” das minhas duas criançinhas.
Sem perspectiva de crescer, se não fosse para os lados (comer, comer, comer
para alimentar minha frustração). E agora passou o moço, me viu distraída na
janela, com meus sonhos e devaneios (que
diga-se de passagem, são vários) e me empurrou... sem cerimônia, sem
misericórdia. Só com um “cadim” (mineirês que significa um pouco) de dó!
Cheguei no brejo e encontro um brejo florido e cheio de
esperança. Se eu disser que estou com muito medo, até mesmo em pânico, vai ser
mentira pura... Mas toda hora que o desespero toma conta, vejo flores, num
jardim florido, borboletas e muita esperança e vontade de fazer parte deste
mundão fervilhante que agora estou vendo aqui do brejo, não mais da janela e da
cortina fechada.
A primeira pessoa a saber, o filho mais velho...
- Filho, minha vaquinha foi pro brejo.... (silêncio....)
- Filho, o que você acha disso??? (silêncio....)
- Filho fala alguma coisa!
- Ah sei lá. Diferente! Não tenho experiência com vaquinhas
indo pro brejo!
- Filho, conversa comigo, me ajuda a pensar num rumo, a me
movimentar e agitar... me aplica essas coisa bacanas que você lê, me ajuda a
construir alguma coisa para frente!?
- Mãe, falando com a pessoa errada! E eu lá sou agitado?
- Mãe, as coisas que eu gosto de ler não são de construir,
são de desconstruir! Para construir você tem que conversar com o namorado!!!
A minha primeira experiência já foi engraçada, mas eu sofri! Fui buscar meu filho de 5 anos na escola, encontrei com a Lili, mãe da coleguinha dele, por sinal duas criaturas de Deus, lindas, meigas, educadas, delícias de estar e entusiasmei com aquele acontecimento. Fui bater papo... De repente, cadê o filho? O filho sumiu!!! Aflição, o assunto acabou, todo mundo apavorou e o fofo lá! Pendurado na janela... só me esperando chegar!
E assim chegamos em casa, hora de dormir, carinho... Eu
chamo: Bi! Vem me fazer um carinho, estou tristinha... E segue o diálogo:
- Mamãe, por que você está tristinha?
- Ah Bi! É que não trabalho mais na Janela da Cortina Fechada
(um aparte, adorei a inspiração deste nome!!! Sempre foi assim que vi este
lugar!!!).
- Mããããe, você foi demitida?
- Fui meu filho?
- Mãe, e você vai ficar sem dinheiro?
- Acho que vou meu filho!
- Mãe vai lá, pede para eles te recontratarem!!
- Por que meu filho!?
- Porque eu quero que você tenha dinheiro para comprar
brinquedos para mim!!!
- Ah meu filho, agora não dá mais... mas a mamãe vai arrumar
alguma coisa para fazer. Não se
preocupe.
- Mãe, vira lojista. Como que faz para ser lojista, mãe???
- Boa noite meu filho! Sonhe com os anjos...
E assim, foi meu primeiro dia com a vaquinha no brejo... e
agora são 5:40 da madrugada, dia 30.08 nascendo e hoje é o primeiro dia sem a
Janela da Cortina Fechada! Bom Dia Vida!!!
Parabéns pelo blog! Vc está encantando a todos com suas palavras e formas de se expressar! Tudo fantástico!! Bjos e obrigada pelo carinho Lili
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