Este é o Gabriel, ele nasceu em 13/10/2007 exatos 30 dias e 2 horas após o falecimento de seu pai!
O Gabriel é uma criança muito especial. Ele é feliz! Tem um vocabulário lindo! Super carinhoso! E o mais importante, não guarda seus sentimentos, tudo é expressado com muita facilidade.
Ontem fui buscá-lo na escola e as emoções estavam a todo vapor, pois foi o dia de fazer o presente do dia dos pais!
E choramos pelo caminho... durante o almoço... durante a tarde.... Ele chora pelo pai que não conheceu, pelo colo dele que nunca teve, pelo beijo dele que não conhece, pelo calor dele que nunca sentiu.
Eu choro pelo medo de criar dois filhos sozinha, pelas escolhas que às vezes me arrependo de ter feito, por ser a única provedora, por não ter a família completa que tanto sonhei, pela madame que ainda não sou...
Ontem foi um dia de muitos histórias, tive que contar pra ele várias coisas.... como conheci o pai, como me tornei mãe, do que gosto no meu papel de mãe, como viver a nossa vida tendo a certeza de que a dor do Gabriel, a minha e a do Guilherme não são maiores que a dor de ninguém. Elas são as nossas dores, as dores que nos transformam e nos fazem diferentes de todo mundo.
No meio de tanto história ele disse:
- Mãe, vou fazer um cartão para meu pai e ficar esperando um dia de muito vento. Aí vou jogar o cartão no vento e tenho certeza que ele vai subir para o céu e vai chegar nas mãos do meu pai.
- Que legal Gabriel, faça mesmo. E até bom porque agosto é um mês de muito vento e vai dar certo....
- Vai mesmo mãe? Então minha ideia foi muito boa!
- Ah!!!! Foi ótima.
E no meio da madrugada, recebi um recado:
- Mande o cartão usando um balão.... Assim o bilhete vai subir e ele terá a certeza de que foi entregue.
Assim eu fiz! Arrumei lindos balões que voam, amarramos o bilhete, e ele soltou os balões do ponto mais alto do nosso prédio. Agora ele tem certeza de que só ele teve esta ideia. Que ele foi o único filho que fez esta linda homenagem para seu pai neste mundo. E tem a mais absoluta certeza de que será entregue até o dia dos pais. E o que ele quer com isso? Que todos fiquem sabendo o quanto ele ama o pai. Um amor que não precisa de provas, imagens, contato. Precisa apenas da certeza de que ele existe.
Amor é assim né. É AMOR e pronto!