Depois de 3 anos casada, tudo lindo e maravilhoso... engravidamos do Gui. Tudo correu muito bem, em harmoniosa tranquilidade, grávida junto com a comadre, uma beleza! Filhos pequenos crescendo juntos... Durante a gravidez, passei os 3 últimos meses de cama, mas isso foi tirado de letra.... era tempo de descansar para aguentar todo o trabalho que viria depois!
Em 2004, aconteceu a morte da minha muito querida e muito família avó Cau! Mesmo diante de tanta tristeza pela sua morte, presenciei uma das muitas cenas bonitas da minha vida. Ver seus 8 filhos velando e despedindo do seu corpo e ressaltando em gestos e união a sua alegre passagem por nossas vidas. Naquele momento decidi que era hora de ampliar a família. Que ter um irmão é realmente ter um esteio e um companheiro.
Muitas tentativas para engravidar, 2 fracassos, pois sofri 2 abortos um de 4 semanas e um de 5 meses, aconteceu a tão esperada gravidez! Início de 2007, depois de vários exames negativos, vem a nóticia... Sim, estou gravidíssima. Com medo de mais um fracasso, esperamos passar bastante tempo para curti e anunciar a gravidez. Fiz tratamento para segurar o bebê durante toda a gestação, com o Dr das gravidezes impossíveis, o Dr Fred e estava sempre disposta, animada, um coco.Gravidez as 1000 maravilhas... vem a D. Morte e fez tudo aquilo que já contei no post anterior.
Uma cena muito marcante e que não sai da cabeça é o momento de sentir as dores do parto, o momento de ir para o hospital!
A dor veio de madrugada, como era fera para dar a luz, sempre parto normal e bem rápido, chamei minha mãe e partimos para a maternidade de taxi. Foi uma "viagem" longa e dolorosa... ir para o hospital, sem o marido, sem quem segurar na minha mão, sem a foto da família na saída, mas era o que eu tinha!
O parto foi lindo, o mais lindo de todos.... Sala à meia luz, música clássica, enfermeiras empurrando a barriga, a estréia, o choro.
Não me lembro como, mas provavelmente foi por mim mesma, minha história do perde/ganha se tornou referência na ala do hospital e para minha surpresa, na minha saída, em mais aquele momento de dor horrível para a "viagem" de volta para casa, a enfermeira me pede para passar no quarto das mães solteiras e ela disse assim:
- Antes de ir, passe ali naquele quarto, dê uma força para todas essas mães que estão aí. Elas precisam conhecer sua força!
E lá fui eu para mais um testemunho de que Deus dá o cobertor do tamanho do nosso frio. Não acredito nisso mas....
E voltamos para casa.... E recebi uma carta assim:
" Querida Rinara:
Antes de tudo, parabéns pelo nascimento desta tão aguardada criança! Céus e terra se curvam diante do mistério de uma nova vida, presente maravilhoso, dom inefável de Deus.
Ao abraçar você, com grande carinho, gostaria de passar-lhe alguns pensamentos que me vieram à cabeça, e que devem ter sido como que recados do Senhor a lhe serem transmitidos.
Questionei a Deus o porquê de não ter escutado o nosso pedido para que o nascimento não se desse neste sábado (13), conforme você me pedira... Custava ter esperado mais um ou dois dias? Perguntei a Ele. Sua resposta silenciosa, mas eloquente foi mais ou menos a seguinte:
"O tempo certo dos acontecimentos, ligados à essencialidade da vida, sou Eu que o estipulo e sempre o faço de maneira correta em função de um bem superior, que na maior parte das vezes vocês não percebem, principalmente se tiverem traçado planos diferentes.
No caso presente, sua amiga Rinara provavelmente não desejava que o nascimento da criança ficasse ligado à morte do pai, ocorrida há exatamente um mês, mas Eu desejei esta ligação, para que ela compreendesse que a morte do Frederico tem todo o sentido de uma Vida plena! Já foi este o sinal que quis transmitir quando o sétimo dia de seu novo nascimento coincidiu com o aniversário do seu primogênito.
É como quem está de posse da VIDA que o Frederico quer e necessita ser lembrado. Cada comemoração festiva dos aniversários dos filhos encherá de alegria tanto a ele, quanto a Mim mesmo. A Rinara não pode comparecer à missa do trigésimo dia da chegada do seu marido, de volta à nossa casa, a casa do Pai, mas o nascimento do seu bebê teve uma conotação simbólica e litúrgica mais significativa do que se ela tivesse participado do meu Santo Sacrifício. Foi por Amor que Eu me entreguei, e é por Amor que estou lhe enviando esta mensagem. Que ela envolva o seu neném com a imensa ternura de quem sabe que Eu e Frederico estamos juntos dela, amando-os, abençoando-os e fazendo uma grande festa!"
É este querida, o recado que me foi inspirado. Todo o carinho desta sua amiga, com os parabéns extensivos aos felizes vovós. Aglaê "
E neste dia, ao ler esta carta, decidi que não mais brigaria com Deus. Que em minha vida, a partir daquele momento seria feita a Sua vontade, sem porquês, sem para que.... Afinal a vida é a vida. Deus é Deus. E eu apenas...
Putz... vc nunca tinha me contado desta forma. Muito forte, tanto a história quanto vc. CAda dia e cada linha mais te amo.
ResponderExcluirBjs
KK