quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Acho que seria mais ou menos assim...

Sempre que é noticiada uma história de morte futura na televisão, principalmente a partir de doenças que não tem jeito, a notícia vem e mostra a herança ou a despedida da pessoa que está com os dias contados. No nosso caso, não tivemos a idéia de registrar as despedidas, acho que acreditávamos em milagres.
Hoje eu agradeço de nada ter sido deixado para mim... acho que me sentiria na obrigação de realizar os desejos e ficaria frustrada se algo não desse certo!
Para os meninos, até acho que algum registro deveria ter sido feito. A letra, um exemplo, uma instrução para a vida... poderia ser uma lembrança e até mesmo um alento. Sei que meus filhos têm momentos difíceis, muitas perguntas não respondidas, muitas perguntas a fazer... mas não adianta ser eu... É a referência masculina que importa. A minha referência, mesmo que com todas e as melhores intenções é feminina!
Já venho pensando, há algum tempo, como seria uma carta deixada do pai para os filhos, mas não consigo imaginar a intensidade que o pai daria a este documento.
Mas da minha convivência de vinte e x anos acho que teriam algumas coisas assim...

- Um homem tem sempre que ter seu sapato engraxado. Meu pai me ensinou que um sapato engraxado e um bom terno, fazem a diferença e mostra que somos limpos e cuidadosos de nós.
- Um homem tem que ser culto. Saber conversar todos os assuntos, por isso leiam, escutem música, escutem as pessoas.
- Sejam humildes, mas nunca se humilhem.
- Um homem tem que ser trabalhador, por isso estudem e estudem sempre mais do que o necessário.
- Um homem tem que ser honesto, por isso lutem para conquistar o que é seu direito. 
Não fiquem preocupados com o que os outros tem, se preocupem com o que querem construir,
Sonhem, amem, cuidem do próximo.
Guilherme, deixe para ser o homem da sua casa. Continue sendo filho... mas muito e principalmente seja um grande irmão!
Gabriel, não se preocupe por eu não estar presente de corpo. Passei com você, lá no céu, momentos lindos antes da sua viagem para a terra... Você será um bom filho e iluminará o vosso lar. Seja também um grande irmão.
E finalmente, um homem tem que ser feliz! É isso que desejo para vocês...

Para mim podia ser algo assim: Boneca de porcelena, que nunca que quebra, confie em Deus!

E assim o registro passaria de mão em mão em vários momentos e datas.... ficaria amarelo.... se rasgaria... perderia a cor com o tempo... ás vezes esquecido.... às vezes lembrado... seria um registro para os filhos! Mas o registro não existe. Não este... 

O registro deixado foi: vários e vários livros na estante, um terno nunca usado para os filhos, um caderno com algumas poesias, documentos de identidade, fotos, os tios para contar histórias....

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Para meu filho Guilherme



"Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender..."




E quando chegou 19 de setembro, às 3:20 da madrugada, chegou a primeira dor do parto. A hora chegou, vamos para o hospital... 
Dor do parto é aquela dor que vem te rasgaaaaaaaaaaando, insuportável.... e quando ela vai embora você sente vontade de virar bailarina!!! Dançar, rodar, girar, pular de alívio e aí vem a dor rasgando de novo... e de novo.... e de novo... quase não deu tempo de fazer anestesia! Ele está com pressa, disse a Dra Ivete... 5:40 eu lá, deitada na sala de parto, Hospital São Lucas, um vitrô bem de frente para mim... O sol nasceu, o choro ecoou na sala! Deus te abençoe meu filho, seja bem vindo Guilherme!!!!
Neste momento eu entendi, senti, vivi o sol na minha vida. E é com este sol que venho caminhando e aprendendo durante estes 17 anos.
Desde muito pequeno, ele demonstra ser uma pessoa correta. Que aceita e respeita as pessoas como são. Que as pessoas são iguais, têm os mesmos direitos. Nada disso precisou ser ensinado, já veio no pacote!
E ele é especial, como é especial. Não é porque é meu filho, é porque ele foi presenteado com uma luz própria. Luz que encanta quem o conhece, luz que brilha nas palavras que profere, nas coisas que faz.
Aos 17 anos meu filho gosta de ler, de tocar bateria, de cozinhar.
Aos 17 anos meu filho gostar de sair e de estar com a gente.
Aos 17 anos dele eu começo a me preparar para vê-lo se emancipar. Voar flecha, como pássaro.
E o diálogo de hoje foi assim...
- Gui, parabéns meu filho, seja muito feliz! Gui, este é o último ano que vou mandar eu você, a partir do ano que vem você já é adulto. Como que eu vou fazer???
- Mãe, este problema é seu, não é meu! Mãe, obrigado pelos parabéns. Vou tomar banho, tchau!

O que eu posso fazer nesta vida? 
Só agradecer e agradecer a Deus, todos os dias, todos os instantes o presente que recebi: ter sido a escolhida para usufruir do Gui.
Parabéns meu filho, seja feliz...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A Depressão...

Sempre me vi muito positiva, forte, corajosa e determinada. Fazia regime fácil! Ficava sem beber fácil! Colocava uma coisa na cabeça e ninguém tirava...
No final de 2012, comecei a me sentir sem tudo isso. Um ser sem vontade... Estava muito desanimada, sem prespectivas no trabalho, sem um rumo na vida. Olhava, olhava e não via nada.
Todos os dias me levantava naquele sofrimento sem fim... A vontade era mesmo ficar na cama.
E à medida que os dias iam passando, mais eu ia perdendo o interesse nas coisas e nas pessoas.
Hoje, quando olho para trás, a sensação que tenho é de que estava correndo atrás do rabo e quanto mais corria, mais eu mesma me enterrava no buraco. Que eu vinha me deprimindo ao longo destes difíceis anos que tive que vencer. E vi também que um único episódio foi a gota d´água para eu desistir de tudo. Desisti das minhas melhores amigas, do meu amor, dos filhos, da família, desisti de mim.
E foi assim.... me afastei delas que se afastaram de mim!
Me afastei do KK, que sem entender o que acontecia, ficava ao meu lado, mas não tinha minha companhia.
Me afastei dos meus filhos a ponto de nem enxergá-los lá do fundo do buraco. E durante este afastamento fui agressiva, muito intolerante e talvez até um pouco má.
Me afastei da família a ponto de esquecer de ligar, para pedir a benção, para dizer olá!
Acho que fiquei uns bons meses me enterreando no buraco... Não saia de casa nos finais-de-semana. Meu único programa era deitar no sofá e esperar o dia acabar.
Eu olhava para o telefone e pensava: bem que eu podia querer ligar para alguém... mas a força não vinha... e o buraco só aumentava e mais fundo eu estava.
Minha vida era falta de prespectiva, tristeza imensa, mágoa, dor, decepção e frustração.
Até que um dia me veio um pensamento.
- Rinara, você está muito mal. Você não é assim. Está tudo muito errado. Se você não quer saber das suas amigas, seu esteio e suas melhores companhias por todos estes anos, é por que você está MUITO MAL MESMO.
E como diz uma amiga, a FICHA CAIU. Eu tive que aceitar que eu não era a toda poderosa e que eu realmente precisava de ajuda!
Assim eu encontrei a terapia. Terapia que vem me ajudando a reestruturar o pensamento, me agarrar às coisas boas que tenho, que vivi e vivo.
Terapia que me ajudou a ter esperança de um futuro melhor.
Terapia que também me trouxe a coragem para blogar!
Terapia que está me ajudando a perdoar. A me perdoar, mas a perdoar ao meu próximo com amor verdadeiro.
Terapia que me faz acreditar que perder o sobrenome é oportunidade. Oportunidade de ter um sonho novo!
Terapia que está me mostrando que tenho um dom.... o dom de cuidar!
E é isso que eu quero para minha vida. Cuidar bem de mim! Cuidar bem de todos que eu gosto. Cuidar do meu jardim. Da minha borboleta.
E estou renovando e refazendo a relação com os filhos.
Já renovei os votos, de amor, com o KK, em Lavras Novas, recentemente.
Estou construindo uma Rinara mais flexível, menos ciumenta e possessiva.
Estou partindo do melhor de tudo que tive na minha vida, para o melhor que vou construir da minha vida.
Já estou colhendo frutos.... e estou sendo uma pessoa MUITO legal de novo!!!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Um Novo Amor

E chegou o tempo de amar de novo. O novo amor é um velho conhecido.
Em 95, quando entrei na Açominas, para prestar serviço, lá no andar dos bacanas, tinha uma sala com 2 jovens senhores, que estavam muito empenhados em salvar o Mundo, pelo menos o mundo da Açominas, que na época não estava nada bem...
Era uma sala, 2 mesas, muito cigarro, um ventilador e um computador.... bem lá no cantinho! Onde eu ficava fazendo planilhas e sistemas. Este lugar me marcou muito porque este foi o primeiro lugar "importante" que frequentei na minha vida!
Um certo dia ele partiu e virou fumaça.... Nunca mais vi, nem encontrei! Não sei como, porque hoje acho que temos tanta afinidade, gostamos tanto das mesmas coisas... que só poderíamos estar nos mesmos lugares, talvez em horários diferentes.
Uma noite, num japonês, lá da Rua São Paulo, me entra o moço... E oi pra cá, oi prá lá... Ele conhecia parte das pessoas da mesa.
Conversamos e ele me disse que tinha ficado sabendo das minhas tragédias, quis saber como estava no brejo...
Eu disse que estava indo.... E devolvi a pergunta. E você, como está?
- Também estou visitando o brejo. Me separei, estou sozinho há muito tempo e por aí foi.... Depois vou te ligar, precisamos conversar.
Tudo bem né. Vamos ver como é o papo do moço em um lugar menos importante.
E ligou mesmo!!! E saímos... Conversamos, rimos, devo ter chorado é claro... mas foi bem animado. As histórias dele sempre são espetaculares!!! É carnaval, viagem, várias profissões, enfim assunto nunca falta. No final da noite teve um depois te ligo.... 
Ihhhhh... sei não!!!
Confesso que de primeira já fiquei bem impressionada e voltei a ser aquela adolescente de 15 anos. Aquela que testa se o telefone está com sinal, está ligado. Essa coisa chama gente??? Chama nada....
E não chamou por vários dias.... Quando a aflição estava passando o telefone toca.
- E aí, tudo bem? Estive muito ocupado. Vamos sair?
Homem é uma coisa.... parece que sabe quando a gente desanima e aí vai lá e ascendo o foguinho de novo...
Saímos.... Sumimos.... Saímos.... Sumimos.... Foi assim um bom tempo!!!
Um belo dia eu desisti. Cansei. Ah agora não quero mais não. Esse moço não quer nada comigo. Só me fazendo sofrer e esperar e chorar... ah neim!!! Apaguei o número da minha agenda!
E no Reveillon de 2009, ele pede um encontro. Precisamos conversar. Assim não está bom.
Como estava voltando de Montes Claros, para Araxá, passei umas horinhas em BH. E fomos conversar.
O moço estava de braço quebrado, eu estava de carro... fomos no Néctar da Bandeirantes.
Conversa vai, conversa vem. Ele disse que estava gostando de mim, mas que não estava sabendo o que fazer o como tratar o assunto. Que não queria me ver sofrer e tal e tal e tal...
Eu disse na lata:
- Comigo agora é só namorando. De mãos dadas pela rua. Apresentando amigos, filhos, cachorro e papagaio.
Ele respondeu:
- Rinara, quer namorar comigo?
Gente..... achei isso a coisa mais linda!!! A emoção foi tanta.... e não passava nunca.... que na saída do Néctar, muito tempo depois do pedido oficial, trombei o carro!!!
Emoção, tremedeira, coração acelerado, felicidade máxima.... Coitado do Corola do senhorzinho.... Todo arranhado.
E assim começou a nossa história, dia 04.01.10 e desde então estamos cada dia mais ligados, mais cúmplices, mais amigos.
Ele trouxe um jeito novo de amar para minha vida. Somos iguais, não tem um melhor que o outro na relação. E ele trouxe também muitas novidades para minha vida.
Me apresentou o carnaval de Recife, de Ouro Preto, do Rio de Janeiro. Já fizemos algumas viagens de lua-de-mel. Me presenteou com pétalas vermelhas na cama, num dia frio de dia dos namorados. Enfim, abriu a cortina e a janela da minha vida. Está me mostrando o mundo!
Quando penso porque gosto dele, meu coração apenas responde que é porque gosto. Simples assim.
E o meu gostar não tem nada a ver com aquele lindo olho camaleão (azul cor do céu, ou verde cor do mar, ou cinza cor da tarde), não tem nada a ver com as comidinhas maravilhosas que ele faz, não tem nada a ver com as mensagens ou ligações que recebo, nem com o quanto ele é família e dedicado ao filho, não tem nada a ver com o carinho que ele tem pelos meus filhos.
Tem a ver com o peito! O peito aberto para mim. Tem a ver com ele abrir os braços e dizer:
- Deita aqui, sinta-se protegida, sinta-se amada.... aqui no seu cantinho!
Hoje eu tenho um amor diferente. Nem melhor, nem pior de todos os que já experimentei.
Hoje eu tenho o amor do KKe não preciso de mais. Sou feliz assim, com ele perto de mim.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ser Madame - Borboleta

E então chegou o dia de voltar... Os 360 km da volta foram bem mais fáceis de percorrer. Já não tinha tanta lágrima mais para chorar.... e estava com muita vontade de fazer dar certo!
E 3 meses depois de fechar a porta e sair, sem saber o que ia dar, voltei... Abri o apartamento, abri as janelas, deixei o sol entrar!
Até março/abril teria que resolver a vida, arrumar uma casa nova, voltar a trabalhar...
Começou assim a saga de achar um novo ninho. Da janela do meu antigo apartamento, namorava um prédio em fase de acabamento. E foi assim que cheguei onde moro hoje, 100 metros abaixo da minha casa até então!
A mesma rua, o mesmo bairro mas o jardim seria muito diferente...
Chegou o tempo de voltar ao trabalho e lá fui eu... Tudo de novo depois de tantos meses. Com o Gabriel muito pequeno e me sentindo muito sozinha, arrumei várias ajudantes. Não ficávamos sozinhos nenhum minuto. Tinha a Babalu que logo saiu para se casar e depois voltou, tinha a Naná que ficava todo o fim-de-semana cuidando de todos, depois veio a Beth, a Mari e hoje a Anna.
E a partir daí foi um tempo só de aprendizagem e muito importante. Arrisco dizer que estes últimos 6 anos, são sem dúvida, os anos mais importantes da minha vida.... e são os anos em que navego em mar (ou lagoa) de águas calmas. Sem tragédias, sem tormentas, sem tornados.
Estou sendo obrigada, através da fé, da caminhada de todos os dias, a amar mais, a doar mais... Mais do meu tempo, mais de mim.
Como criar 2 filhos sozinha, sendo a referência para tudo... Só com muito amor!!!
Como não cair diante de um problema de saúde ou uma inquietação ou de um problema para resolver... só com muito amor!!!
E é assim que estou... nestes 6 anos... fazendo as vontades de Deus. Vivendo um dia de cada vez, sem pressa, tentando ser uma força maior, tentando ser uma família melhor e tentando, com muita força, ser uma pessoa melhor...
Ainda há soberba, vaidade, mágoas que me trazem pensamentos que não deveriam ser meus, pensamentos de uma pessoa que já deveria ter aprendido alguma coisa, mas eles são e muitas vezes me sinto paralisada...
Como amar ao próximo com a mim mesma?
Como perdoar como quero ser perdoada?
Como viver para o próximo?
Ainda não sei tudo, ainda não sei nada... Me arrependo de gestos e palavras! Me sinto linda por gestos e palavras... e diante da vida, diante dos meus amores... só sei de uma coisa... ainda tem muito espaço para ser melhor!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Brejo

Hoje, no brejo, está assim...
Noite inteira em claro por que o filho mais velho está gripado ou sei lá o que. E no brejo, não tem plano de saúde antes de quinta-feira que vem...
O mais novo está fazendo guerra de nervos com a mãe que já está nervosa. Por dois motivos:
1- ciúmes da atenção que o mais velho está recebendo
2- está fazendo greve de aprender.... não quer saber de ler, escrever ou qualquer outra coisa relacionada a isto.
Eu, ah eu só quero chorar e gritar bem alto: VTNC.
Agora vou sair.... Vou pesquisar, investigar, distrair, procurar alternativas. Porque hoje eu só quero que o dia termine bem!!!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Muito obrigada!

Pessoas.... Só para agradecer as muitas mensagens de incentivo e carinho!
Estou contando minha história porque tenho muito orgulho dela!!!
Beijos, beijos, beijos....

Ser Madame - Parte III

E durante os 30 dias entre a partida e a chegada, várias surpresas aconteceram... O Bi ainda não tinha quarto, só o enxoval que minha mãe vinha fazendo com muito carinho!
Meus colegas de Açominas, se reuniram e me deram o quarto de presente! Tinha cama, roupa de cama, carrinho, berço.... enfim tudo que precisaríamos. Foi emocionante e muito legal receber este carinho, recebê-los em minha casa para, se me lembro bem, um almoço... Adoro fazer almoços! Ganhamos também a decoração do quarto. A Mariana, lá da comunicação, fez os desenhos dos bichinhos. Ficou lindo.... Não me lembro de muita coisa deste período, mas me lembro da Renata, Rogério e Rosângela sempre por perto, tomando as providências que o quarto do Gabriel precisava. Nem sei se um dia cheguei a agradecer... Nunca é tarde, né! Todos foram amigos de verdade... Boas surpresas, boas companhias, bom amparo. Obrigada, muito obrigada mesmo! Sem vocês, sei não...
A Fátima, mãe do Felipe, amigo do Gui, também foi um anjo... Arrumou o quarto para mim, completou a decoração e enquanto eu estava lá no hospital, ela estava na minha casa ajeitando tudo! E quando chegamos, encontramos tudo em seu lugar, bem bonito, como o Bi merecia. Amiga, obrigada demais!!!
Estou aqui, tentando me lembrar onde estava e o que estava fazendo a minha amiga de todos os tempos, a Neusinha... e meu coração apitou:  ela estava em todos os lugares e momentos, tentando preencher o buraco que tinha na minha vida, na minha casa de alguma forma. Para ela também vai o meu muito, muito obrigada!

Um dia recebi uma ligação da Joanita, amiga dos Araxá. E ela disse mais ou menos assim:
- Você está uma grávida muito bonita, tem que registrar este momento. Vou te dar um book da sua gestação. Esteja pronta, tal dia e tal hora que vou aí te pegar....
E veio. Fomos para a casa de uma amiga (www.ellencasadonte.comdela que estava começando a carreira de fotógrafa. A Joanita levou roupas, jóias, bijus, maquiagem... toda a produção. Eu levei algumas coisinhas de bebê, o Gui, a barriga e a minha mãe. Sempre companheira, não deixava a gente só ou a gente se sentir só. O resultado foi lindo e também não sei se me lembrei de agradecer, mas tenho que dizer aqui.
- Jô, você me deu momentos de modelo (sonho da infância), momentos de madame (sonho de sempre), momentos felizes. Ainda me lembro das poses, das produções, do ventilador, do salto alto... me senti "the best". Obrigada, muito mais que obrigada!

O Dr Fred também merece mais que um muito obrigada. Ele tem a minha gratidão para sempre! Ele foi o instrumento da chegada do Biel. E me lembro dele falando assim:
- Preocupa não que este nasce...
Viva o Dr Fred!!! Nasceu mesmo.

Depois do parto passamos uns dias aqui, até o final das aulas do Gui. Quando ele foi liberado, viajamos para Araxá. Quando fechei a porta do meu apartamento, me deu um aperto no peito....
A sensação da possibilidade de não voltar, a sensação de fechar um ciclo, a realidade de uma vida muito diferente dali para frente.... Chorei, chorei, chorei... 360km de lágrimas! Acho que deu para molhar um lençol. O silêncio tomou conta da viagem. Ninguém sabia o que falar, ou fazer. E eu chorando...
Chegamos em Araxá no início de Novembro, licença maternidade na casa dos pais. Não me lembro de muita coisa.... mas me lembro perfeitamente que eu chorava mais que o Gabriel e a música que cantava para ele era:
"Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá"
E dá-lhe lágrimas...
Lembro também que durante este tempo o Gui fez aula de teclado. Eu ia levá-lo para a aula e em frente a casa da professora tinha uma praça. Me sentava lá e ficava pensando em nada, ou pensando no meu desespero, ou é claro... chorando. Um dia tomei coragem e enfrentei a realidade. Tinha que resolver o que fazer da vida, estava chegando a hora. Era voltar ou ficar.
Abri a bolsa, peguei um papel, fiz as contas.... Receitas x Despesas. Receita ganhou! 400,00 no azul!? O dinheiro dá?! Foda-se (já perceberam que contra o foda-se não há argumento!?)... vou voltar para o meu lugar. Liguei para a Neusinha e disse:
- Neusinha o dinheiro dá. Vou voltar!
E ela:
-Que bom Ri. Ainda bem! Estava com medo de você ficar aí...
 E foi assim... 07.02.2008 de volta para casa. Desta vez chorando menos... com um pouco de esperança, com muita fé.
Tentando guardar o sonho de madame.
Tentando me adaptar à realidade de provedora.
Lembrando das palavras de minha amiguinhas das orações do Santa Dorotéia. Se precisar de ajude chame Deus, não chame seu marido. Se seu marido pudesse te ajudar estaria aqui...
E foi assim que um novo tempo começou! Tempo sair do casulo, ser borboleta!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ser Madame - Intervalo

Preciso de um intervalo, para recuperar as forças para contar a parte mais importante da minha vida: o nascimento dos filhos!!!
Depois de 3 anos casada, tudo lindo e maravilhoso... engravidamos do Gui. Tudo correu muito bem, em harmoniosa tranquilidade, grávida junto com a comadre, uma beleza! Filhos pequenos crescendo juntos... Durante a gravidez, passei os 3 últimos meses de cama, mas isso foi tirado de letra.... era tempo de descansar para aguentar todo o trabalho que viria depois!
Em 2004, aconteceu a morte da minha muito querida e muito família avó Cau! Mesmo diante de tanta tristeza pela sua morte, presenciei uma das muitas cenas bonitas da minha vida. Ver seus 8 filhos velando e despedindo do seu corpo e ressaltando em gestos e união a sua alegre passagem por nossas vidas. Naquele momento decidi que era hora de ampliar a família. Que ter um irmão é realmente ter um esteio e um companheiro.
Muitas tentativas para engravidar, 2 fracassos, pois sofri 2 abortos um de 4 semanas e um de 5 meses, aconteceu a tão esperada gravidez! Início de 2007, depois de vários exames negativos, vem a nóticia... Sim, estou gravidíssima. Com medo de mais um fracasso, esperamos passar bastante tempo para curti e anunciar a gravidez. Fiz tratamento para segurar o bebê durante toda a gestação, com o Dr das gravidezes impossíveis, o Dr Fred e estava sempre disposta, animada, um coco.Gravidez as 1000 maravilhas... vem a D. Morte e fez tudo aquilo que já contei no post anterior.
Uma cena muito marcante e que não sai da cabeça é o momento de sentir as dores do parto, o momento de ir para o hospital! 
A dor veio de madrugada, como era fera para dar a luz, sempre parto normal e bem rápido, chamei minha mãe e partimos para a maternidade de taxi. Foi uma "viagem" longa e dolorosa... ir para o hospital, sem o marido, sem quem segurar na minha mão, sem a foto da família na saída, mas era o que eu tinha!
O parto foi lindo, o mais lindo de todos.... Sala à meia luz, música clássica, enfermeiras empurrando a barriga, a estréia, o choro. 
Não me lembro como, mas provavelmente foi por mim mesma, minha história do perde/ganha se tornou referência na ala do hospital e para minha surpresa, na minha saída, em mais aquele momento de dor horrível para a "viagem" de volta para casa, a enfermeira me pede para passar no quarto das mães solteiras e ela disse assim:
- Antes de ir, passe ali naquele quarto, dê uma força para todas essas mães que estão aí. Elas precisam conhecer sua força! 
E lá fui eu para mais um testemunho de que Deus dá o cobertor do tamanho do nosso frio. Não acredito nisso mas....
E voltamos para casa.... E recebi uma carta assim:

" Querida Rinara:
Antes de tudo, parabéns pelo nascimento desta tão aguardada criança! Céus e terra se curvam diante do mistério de uma nova vida, presente maravilhoso, dom inefável de Deus.
Ao abraçar você, com grande carinho, gostaria de passar-lhe alguns pensamentos que me vieram à cabeça, e que devem ter sido como que recados do Senhor a lhe serem transmitidos.
Questionei a Deus o porquê de não ter escutado o nosso pedido para que o nascimento não se desse neste sábado (13), conforme você me pedira... Custava ter esperado mais um ou dois dias? Perguntei a Ele. Sua resposta silenciosa, mas eloquente foi mais ou menos a seguinte:

"O tempo certo dos acontecimentos, ligados à essencialidade da vida, sou Eu que o estipulo e sempre o faço de maneira correta em função de um bem superior, que na maior parte das vezes vocês não percebem, principalmente se tiverem traçado planos diferentes.
No caso presente, sua amiga Rinara provavelmente não desejava que o nascimento da criança ficasse ligado à morte do pai, ocorrida há exatamente um mês, mas Eu desejei esta ligação, para que ela compreendesse que a morte do Frederico tem todo o sentido de uma Vida plena! Já foi este o sinal  que quis transmitir quando o sétimo dia de seu novo nascimento coincidiu com o aniversário do seu primogênito.
É como quem está de posse da VIDA que o Frederico quer e necessita ser lembrado. Cada comemoração festiva dos aniversários dos filhos encherá de alegria tanto a ele, quanto a Mim mesmo. A Rinara não pode comparecer à missa do trigésimo dia da chegada do seu marido, de volta à nossa casa, a casa do Pai, mas o nascimento do seu bebê teve uma conotação simbólica e litúrgica mais significativa do que se ela tivesse participado do meu Santo Sacrifício. Foi por Amor que Eu me entreguei, e é por Amor que estou lhe enviando esta mensagem. Que ela envolva o seu neném com a imensa ternura de quem sabe que Eu e Frederico estamos juntos dela, amando-os, abençoando-os e fazendo uma grande festa!"

É este querida, o recado que me foi inspirado. Todo o carinho desta sua  amiga, com os parabéns extensivos aos felizes vovós. Aglaê "

E neste dia, ao ler esta carta, decidi que não mais brigaria com Deus. Que em minha vida, a partir daquele momento seria feita a Sua vontade, sem porquês, sem para que.... Afinal a vida é a vida. Deus é Deus. E eu apenas...

domingo, 8 de setembro de 2013

Ser Madame - Parte II

e do dia 24.maio.2007 a 13.setembro.2007, à medida em que a barriga ia crescendo a esperança ia diminuindo. O Marido iria morrer e o filho iria nascer. Isso mesmo, estávamos grávidos!
Foram 100 dias para a despedida. Foram 100 dias de espera por um milagre. A vida ou Deus não poderiam ser tão maus com uma família daquele jeito. Mas a vida é a vida. Deus é Deus... e neste tempo o que tivemos foi a passagem de pessoas belíssimas na nossa casa...
D. Neusa e D. Aglaê que iam até nós, diariamente, para nos trazer momentos de oração e a comunhão com Deus.
O grupo de orações do Colégio Santa Dorotéia que passei a frequentar às quartas-feiras.
Meus cumpadres e hoje irmãos, Betina e Vinícius, que não nos desampararam e principalmente não desampararam o irmão um minuto sequer.
Meu sobrinho Konrado que esteve presente em gestos lindíssimos e de puro amor.
Minha irmã me gerenciando nas funções hospitalares lá da Austrália.
Meus pais em oração, promessas e apoio diário.
A casa que até então era banhada de música, cervejinha nas noites de quinta, sexta e finais-de-semana, jantares e comemorações, encontros no Shopping depois de um dia de trabalho, via sacra pelos botecos da cidade, idas ao Minas... ficou doente. Toda a família ficou doente.
Uma grande lição que tirei deste acontecimento: Uma pessoa da família doente --> família doente.
E então o marido morreu. Levou com ele o pai dos meus filhos, o homem culto, inteligentíssimo, dedicado, estudioso, esforçado, gentleman e a minha chance de ser Madame.
Do sonho e de todo o investimento que tinha feito até então, me sobrou a chance de ser provedora.
Provedora dos filhos, provedora da casa, provedora de exemplos, provedora da alegria de novo. E no dia 13.setembro.2007, não por acaso, nossas vidas ficaram amarradas para sempre. E nossas datas passaram a ser...
13.setembro.2007 - 05:00 - morre o pai
19.setembro.2007 - aniversaria o filho mais velho. Não fiz, aqui em BH, missa de sétimo dia. Fiz bolo e cantei parabéns para o Gui.
13.outubro.2007 - 07:20 - estréia do Bi na terra, ao som de música clássica, pelas mãos do Dr. das gravidezes impossíveis, Frederico José Amedee Peret.
Bi que hoje, véspera de completar 6 anos, tenta racionalizar quem e como é a sua família. A sua história. A morte está se fazendo presente em consciência. A estrelinha está deixando de ser pai, para ser um elemento do universo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ser Madame - Parte I

Desde a adolescência sonhava em ser MADAME. O que é ser madame? Vou explicar:
Para mim, nos meus devaneios e desejos, madame é aquela mulher que não precisa trabalhar, pois tem um provedor. Faz caminhada ou ginástica no meio da manhã ou no meio da tarde. Faz aulas de porcelana. Leva e busca filho o dia inteiro. Não tem dia ou hora para frequentar o Mercado Central ou o Shopping ou a Academia ou... Madame para mim nunca estará na janela da cortina fechada!
Quando me casei, tive a sorte (ou o olhar) de escolher um homem com muito potencial para me fazer Madame. Ele era muito culto, inteligentíssimo, dedicado, estudioso, esforçado, ótimo pai e um gentleman
(google: Homem com modos, não especificamente rico, e sim com classe de berço, um homem não se torna um gentleman, ele nasce um ).  Um aparte interessante. Característica ou dom herdada pelo filho mais velho.
E quando eu percebi que teria a chance de através dele, me tornar "a Madame", apostei todas as minhas fichas e me dediquei muito para que este dia chegasse...
Durante anos fui a mulher que o ajudou a estudar: 2 graduações e 1 mestrado. Ficava com nosso filho mais velho, todas as noites para ele estudar e trabalhar. Levava e buscava o filho mais velho de ônibus, pois ele precisava do carro para trabalhar... e estudar... e me fazer madame. Anos na janela da cortina fechada, olhando pela fresta e pensando que o que estava fazendo estava valendo a pena... pois eu estava a cada dia mais próxima de lá... "do Madamismo"!!!
E quando o jardim estava todo arado, plantado, irrigado, florescendo e pronto para dar frutos... veio a dona morte, com seu facão. Pegou minha cesta de ovos, sem dó nem piedade, jogou no chão... Todos se quebraram e... eu fui para o brejo. Brejo número 2. A segunda mais dolorosa experiência da minha vida.
E do brejo eu só via uma coisa. A vaquinha, lá na janela da cortina fechada, a única capaz de não me deixar voltar para traz... Voltar para Araxá, para ser sei lá o que ou sei lá quem.
Um dia, durante a licença maternidade do segundo filho, sentada no banco da Praça Governador Valadares, em Araxá, peguei um pequeno pedaço de papel e fiz a conta de todas as 2 receitas e de todas as  muitas despesas. Sobrou 400!!! Encontrei a mola, a mola que me impulsionou para fora do brejo... Voltar, tentar, recomeçar. Na capital dos meus sonhos.
Capital que conheci pela Avenida Amazonas, caminhões, ônibus, um mundo de carro em 1981, passando por aqui rumo a Cabo Frio.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Para minhas irmãs...

05.09 dia do irmão, no meu caso, dia da irmã. da única que tenho. E única mesmo. Única no jeito de ser e de demonstrar o amor fraterno que carrega no peito. Nos momentos mais difíceis, quilômetros e quilômetros de distância, ela presente... em gestos, palavras, atos e conselhos.
Na infância a dupla que brincava de boneca, de vender coisas de bar na garagem...
Na adolescência a cúmplice para o namoro, para as peraltices...
Na idade adulta a companheira na alegria e na tristeza.
Irmã a gente não escolhe. A gente tem!!! Tem que curtir, aproveitar, receber, respeitar, viver para apoiar e acudir. Minha irmã é assim.


Durante a caminhada escolhi algumas irmãs também. Irmãs de fé, irmãs camaradas, irmãs primas, irmãs tias, irmãs...
Irmãs de mãos prontas para afagar, palavras bonitas e verdadeiras.
Irmãs para ajudar a crescer e a escolher um caminho.
Irmãs que trazem a luz num momento de desespero.
Irmas que ajudam a encontrar uma solução num momento de dúvida.
Irmãs para brindar a vida.
Irmãs que machucam.
Irmãs que perdoam.
Irmãs para ser irmandade.
E no brejo... ah no brejo.... estão todas lá! A irmã de sangue, as irmãs de fé, as irmãs camaradas, as irmãs irmandade e até novas irmãs de brejo.
Elas estão todas lá dentro do meu coração, me enchendo de inspiração para tentar ser sempre uma irmã melhor.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dia Feliz!

Primeiro de tudo e antes de qualquer coisa, tenho que agradecer o CARINHO de todos que se manifestaram sobre o meu blog!
Comentários no face... Mensagens inbox..... Telefonemas... Link compartilhado... que surpresa deliciosa!!!
Confesso que ontem pensei muito e entre uns 10 vou não vou resolvi arriscar e divulgar o blog no face! Estava com vergonha da exposição. Com medo de arriscar. Sem coragem para começar. E o resultado veio em forma de uma frase linda, de uma ligação que recebi hoje, logo pela manhã...
- "Você tem um sol dentro do seu peito que brilha muito e contagia a todos que estão na sua volta".
Mais uma vez, olhei para o céu, hoje meio cinzento e chuvoso, mas meu agradecimento atravessou as nuvens e novamente: Obrigada mãezinha por mais este presente!!! 
E hoje em mais um dia de mãe full time, reunião na escola, com a professora e a supervisora do Bi, o filho mais novo!
Conselhos, sugestões, notícias boas... Ele está se desenvolvendo e de agora para frente, com minha disponibilidade, vai ser aquele salto! Amém.
Durante o papo a Vaquinha foi pro Brejo também foi assunto... A supervisora acaba de perder um sobrinho de acidente de carro! Existe brejo maior que este? Eu não conheço. Como pode uma mãe, perder seu filho tão amado?! Voltei de lá pensando... Socorro!!! Como sair deste brejo??? E só achei uma resposta. 
FÉ, FÉ, FÉ toda a FÉ em DEUS. Só ele pode prover o cobertor que aquecerá esta e tantas outras famílias em cada data comemorativa, em cada aniversário que não será mais cantado o parabéns, em cada acontecimento que o novo anjo deveria estar presente! Só Deus é capaz de nos dar a resignação para  do respirar fundo e seguir a vida... fora do brejo. Só Deus é capaz de enxugar as nossas lágrimas, porque só dele recebemos o maior amor do mundo!
Hoje meu dia está feliz, porque recebi força para continuar. No face, na escola, nos emails, em uma singela conversa de muito afeto.
A chuva de setembro limpa a rua lá fora. Minhas lágrimas lavam meu rosto. A casa cheira bolo de cenoura...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sem inspiração, mas com emoção

Hoje estou meio sem inspiração. A vida de mãe full time continua, com uma virose no meio, do Gui o filho mais velho! Remédio, febre, soninho, lanchinho para ele na cama.
Por um momento quis me sentir improdutiva, afinal não estou faturando, mas este pensamento logo foi embora. No lugar veio o pensamento de que estou vivendo a minha casa, meus filhos, construindo um novo relacionamento no meu núcleo familiar. Acalmei-me e agradeci de novo à minha mãezinha do céu! Céu lindo, todo azul só para mim às 10:15 da manhã, 40 minutos de caminhada pela rua afora, bem sozinha... rumo à terapia. Mais um parabéns pelo presente que recebi: a chance de melhorar a qualidade da minha vida. Pensamento funcional, você até merece alta, mas vamos cuidar do seu futuro!!!
Agenda, planilha de atividades, um monte de tarefa para casa... assim é a terapia cognitiva que está me trazendo um conhecimento legal de mim mesmo e o mais importante, me ensinando que viver é planejar. A magica não existe.
Ju veio passar a tarde aqui, ela é mãe do colega do Bi e está fazendo a adaptação da filha mais nova no colégio aqui do lado. Trouxe o pão, salame, pãozinho recheado e coca-cola. Algum dia já tive isto numa terça-feira, assim, sem estar doente ou operada? Ah! Acho que não...
Perguntei se a vaquinha dela já foi para o brejo. Ela disse que não. As águas onde ela navega são tranquilas... mas a vaquinha do pai e da mãe já visitaram o brejo várias vezes. Por motivos de saúde principalmente, mas todas as vezes a vaquinha saiu de lá, mais forte, mais valente e sempre com a proteção de Deus! Alguns feitos do Divino Pai Eterno, o cuidado do pai pela mãe em momentos de dor, um novo trabalho do pai para recomeçar e recomeçar. A impressão é que mesmo que os momentos sejam difíceis, a fé e a vontade de superar e vencer e melhorar são tão maiores, que o sofrimento passa a parecer irrelevante na história toda!

E agora estou aqui. Casa com amiguinhos, lutas, flechas, o som da bateria vindo lá de dentro. Obrigada mãezinha! Mais um dia ocupada com o melhor que tenho meus filhos!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Perdendo mais um sobrenome!

Acordei as 5:25 de um sobressalto, segundos antes do despertador tocar! A sensação era de que não poderia perder aquele compromisso tão importante!!!
Hoje é dia de oficializar a separação. A segunda, diga-se de passagem. A primeira aconteceu em 2007, de forma muito trágica, mas isso é outra história.
A segunda separação acontecerá lá pelos lados de Ouro Branco, lugar onde passei algum tempo, diariamente, e o tempo passado por lá foi de dias muito difíceis. Também uma outra história.
De 1999 até hoje me chamei Rinara Cunha Ribeiro Gerdau. E este último nome, principalmente nas fichas de crédito, cadastro, palestras, mundo SAP e afins sempre me fez importante! Quantas vezes ouvi: “oh você trabalha na Gerdau!?”. Pois sim, até hoje, SIM, mas agora não o tenho mais. Agora é um voo solo, só eu, só Rinara Cunha Ribeiro.
Num espaço de 6 anos minha ficha que era linda e completa, era assim:
Rinara Cunha Ribeiro, casada, analista de sistemas da Gerdau
Hoje ela passou a ser assim:
Rinara Cunha Ribeiro, viúva, ??? (do lar, mãe, disponível no mercado, ex Gerdau...)
Esta separação não me causa sofrimento nem dor. Me proporciona alívio e a benção de saber que fiz a escolha certa, durante todos estes anos. Anos em que a minha família sempre esteve em primeiro lugar. Trabalhava sim, tinha horário sim, estava disponível sim, mas estava mais disponível para minha família e agora para ela estou voltando... durante um tempo full time, como estive disponível full time, muitos dias, muitos findis, muitos projetos.
Esta separação me fez ser importante no dia de hoje. Pela primeira vez, um carro, com motorista, só para mim... Voltamos conversando e eu contei para o motorista que minha vaquinha tinha ido para o brejo. Na mesma hora ele me contou que a dele também um dia visitou este lugar, mas que ele não tinha vontade e nem coragem de me contar como foi seu brejo... Trazia sofrimento! Tempos de sofrimento que hoje não cabem mais na vida dele, que deu a volta por cima. Tem filha doutora (médica mesmo), filha concursada que ganha super bem, filha na faculdade. Casa em construção, vai ficar linda, com os melhores materiais de acabamento, uma esposa companheira, que trabalha, que tem boa renda! E a parte triste do brejo, que ele deixou escapar foi:
- "Sabe menina, bem no meio daquela confusão e daquele sofrimento, o motor do carro da minha esposa, ainda fundiu. E ela carregava crianças para as aulas, para todos os cantos. E quando ela foi dar a noticia para uma das mães de que não faria mais este serviço, a senhora perguntou na hora o por que e ao saber do motor fundido, deu-nos  um motor novinho em folha. Assim são as pessoas boas que Deus coloca no nosso caminho. E daí nós começamos a dar a volta por cima e hoje eu sou outra pessoa.”
E histórias assim vão me acompanhar. Noites e dias de tormentas, que com determinação, coragem, fé em Deus e pé na estrada me farão ver que a vida é mais, que o mundo é mais, que as pessoas são mais... E que o brejo é florido para quem quer flores!
Cheguei em casa, pronta para ser mãe... em tempo integral... pelo tempo que Deus me permitir! Assim será.

E pessoas especiais já estão cruzando meu caminho, nossa dentista que não cobrou a consulta hoje... A moça da Unimed que me desejou sucesso pela minha escolha e me abençoou. E neste momento, me sinto a mais forte e corajosa de todas as pessoas.

Fim-de-semana é igual para todo mundo

É fim-de-semana... E o que tenho a dizer daqui do brejo!?
Fim-de-semana é igual para todo mundo! Nenhuma emoção ou novidade. Apenas curtindo meus amores, sem pensar, sem planejar, sem calcular...

Mas chegou o Fantástico e.... alívio! Amanhã sou dona do meu tempo! Ah não... Amanhã será dia de rescisão. Terei que acordas as 5:30. Assim seja.

30.08 foi assim...

O dia amanhece enquanto estou escrevendo meu primeiro dia de vaquinha que foi pro brejo... Quando acabo de escrevê-lo logo me lembro de que se quiser posso dormir mais. E assim fui para a cama! TV ligada em algum canal, soninho gostoso com gosto de liberdade!
Hoje sou dona do meu dia! Hoje sou dona da minha agenda!!! Essa frase vem retumbando como o som do tambor na minha cabeça já há algum tempo... Como ser dona da minha agenda!?
Pois bem, acordo assustada, que horas são? Onde estou? O que está acontecendo?! Ah está acontecendo que vou experimentar ser mãe, full time, na manhã de hoje.
Acordo o BI, xixi, dente escovado, troca de roupa, futebol. Xiiii no futebol hoje tem bobinho! Ele não vai querer ser um.... Sofreu um pouco, roubou outro tanto de bola, emburrou e veio pedir socorro para a mãe!
- Mãe, estão falando meu nome, estão me deixando nervoso.
- Bi, o que você tem que fazer?
- Roubar a bola mãe, mas eles ficam falando meu nome e tiram minha concentração.
- Bi, olha firme para a bola, esquece do mundo, vai lá e rouba a bola.
- Ah é mãe?
- É!!!! Gooooooooooooooooool
Gol do Bi, o de hoje oferecido para o KK. Ele tem que chegar logo para receber o presente, né mãe...
Voltando para casa, tem que ficar no play, afinal se desceu, tem que brincar.... Corre, pula, dá tiro (tem todo tipo de metralhadora. FIRE! FIRE! Nem sabia que metralhadora falava!!!), mais bola e jogo e goooooooooooooooooool.
Subindo para casa, banho, uniforme, fome, para-casa. Conta pipa, conta papo.... É pipa de fato!!! Fim do para-casa. Uma partidinha de xadrez. Perdi de novo! Almoço, pão com molho... Primeiro turno MÃE. Cansada! Não sabia que era trabalhoso e tão bom assim. E o sorriso, a alegria, a satisfação dele e minha. Será isso um presente como os outros que o dinheiro compra???
De novo para a escola.... Encontro com várias mães, oi, tchau... E encontro com a Ju. Vamos para o Carrefour e depois para minha casa e depois para a loja comprar coisas para a festa do Be e volta para casa....
E vou fazer bolo e torta. Hoje o amor está de volta... Empadão de bacalhau com macarrão (que só a mãe dele fazia! Eu doida d+, tentei para agradar). Tá lindo, vamos ver se é bom!!!
Enfim, hoje foi um dia de vaquinha no brejo que foi mãe, amiga, cozinheira e à toa. Vai ser bão sô!
Mas a cabeça fervendo, os planos borbulhando, o ânimo se animando... Tenho que pedir desculpas para um ex-colega de trabalho. Ele me ligou para dar uma força, não deixei... Só eu que fiquei falando.... Foi mal, Léo!
E assim termina meu dia... Na porta da sala do filho Bi.
- E aí Rinara, agora que você está “madame”, vamos fazer um chazinho da tarde lá em casa dia desses?

Esta foi a pergunta de uma mãe! Na hora mandei um rápido agradecimento para minha mãezinha do céu... Obrigada mãe, ser madame.... mesmo que em palavras, um sonho realizado!

28.08 e 29.03 Primeiros dias de brejo...


“Entramos em desespero, mas, daí em diante,
tivemos que fazer outras coisas,
desenvolver outros meios de sobrevivência.”


E a minha vaquinha foi pro brejo. Durante quase quinze anos fiquei lá... assistindo o mundo ferver através da janela e da cortina fechada!
Quando eu ousava chegar perto dela, via um mundo tão grande, agitado e movimento do lado de fora que até me assustava. Sempre pensava o que estou fazendo aqui que não estou acompanhando essas pessoas? O céu azul, brilhando... hoje é dia de praia! O céu cinza, chorando... hoje é dia de pipoca com filminho na TV. Sexta-feita!?  A libertação da "prisão sem grades": da janela e da cortina fechada.
Mas eu tinha que estar lá, grudadinha na minha vaquinha, literalmente tirando e levando para casa o “leitinho” das minhas duas criançinhas. Sem perspectiva de crescer, se não fosse para os lados (comer, comer, comer para alimentar minha frustração). E agora passou o moço, me viu distraída na janela, com meus sonhos e devaneios  (que diga-se de passagem, são vários) e me empurrou... sem cerimônia, sem misericórdia. Só com um “cadim” (mineirês que significa um pouco) de dó!
Cheguei no brejo e encontro um brejo florido e cheio de esperança. Se eu disser que estou com muito medo, até mesmo em pânico, vai ser mentira pura... Mas toda hora que o desespero toma conta, vejo flores, num jardim florido, borboletas e muita esperança e vontade de fazer parte deste mundão fervilhante que agora estou vendo aqui do brejo, não mais da janela e da cortina fechada.
A primeira pessoa a saber, o filho mais velho...
- Filho, minha vaquinha foi pro brejo.... (silêncio....)
- Filho, o que você acha disso??? (silêncio....)
- Filho fala alguma coisa!
- Ah sei lá. Diferente! Não tenho experiência com vaquinhas indo pro brejo!
- Filho, conversa comigo, me ajuda a pensar num rumo, a me movimentar e agitar... me aplica essas coisa bacanas que você lê, me ajuda a construir alguma coisa para frente!?
- Mãe, falando com a pessoa errada! E eu lá sou agitado?
- Mãe, as coisas que eu gosto de ler não são de construir, são de desconstruir! Para construir você tem que conversar com o namorado!!!

A minha primeira experiência já foi engraçada, mas eu sofri! Fui buscar meu filho de 5 anos na escola, encontrei com a Lili, mãe da coleguinha dele, por sinal duas criaturas de Deus, lindas, meigas, educadas, delícias de estar e entusiasmei com aquele acontecimento. Fui bater papo... De repente, cadê o filho? O filho sumiu!!! Aflição, o assunto acabou, todo mundo apavorou e o fofo lá! Pendurado na janela... só me esperando chegar!
E assim chegamos em casa, hora de dormir, carinho... Eu chamo: Bi! Vem me fazer um carinho, estou tristinha... E segue o diálogo:
- Mamãe, por que você está tristinha?
- Ah Bi! É que não trabalho mais na Janela da Cortina Fechada (um aparte, adorei a inspiração deste nome!!! Sempre foi assim que vi este lugar!!!).
- Mããããe, você foi demitida?
- Fui meu filho?
- Mãe, e você vai ficar sem dinheiro?
- Acho que vou meu filho!
- Mãe vai lá, pede para eles te recontratarem!!
- Por que meu filho!?
- Porque eu quero que você tenha dinheiro para comprar brinquedos para mim!!!
- Ah meu filho, agora não dá mais... mas a mamãe vai arrumar alguma coisa para fazer.  Não se preocupe.
- Mãe, vira lojista. Como que faz para ser lojista, mãe???
- Boa noite meu filho! Sonhe com os anjos...

E assim, foi meu primeiro dia com a vaquinha no brejo... e agora são 5:40 da madrugada, dia 30.08 nascendo e hoje é o primeiro dia sem a Janela da Cortina Fechada! Bom Dia Vida!!!

O Monge, A Vaca, A Sabedoria, O Brejo

"Um velho monge e seu discípulo costumavam visitar as pessoas que moravam em vilarejos distantes da cidade. Num dos seus passeios, já estava anoitecendo e eles ainda estavam no meio de uma estrada, distantes do vilarejo para onde se dirigiam. Avistaram um sítio, aproximaram-se e pediram pousada durante aquela noite.
O sítio era muito simples. Ali, viviam um casal de aparência humilde e seus três filhos, pequenos, raquíticos. A pobreza do lugar era visível e, mesmo assim, eles acolheram, de bom grado, a dupla de viajantes.
Durante o jantar, onde fora servido mingau de leite com farinha, o mestre indagou: “-Neste lugar não há sinais de comércio ou de algum trabalho. Também não vimos nenhuma plantação. Como vocês sobrevivem aqui?”
O dono da casa respondeu: “- Meu amigo, nós temos uma milagrosa vaquinha, que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse leite nós vendemos ou trocamos na cidade, por outros alimentos ou coisas que necessitamos. Outra parte fazemos queijo , coalhada, pirão e, assim, vamos sobrevivendo. Não sabemos plantar, também acho que essa terra não dá nada e tudo aqui é muito difícil. Ai de nós se perdemos a nossa vaquinha!”
De madrugada, os dois receberam um copo de leite quente. Em seguida, agradeceram a hospitalidade e foram embora. Assim que sairam do sítio, o mestre ordenou ao discípulo que ele pegasse a vaca e a atirasse num precipício. O jovem, surpreso, não só se chateou como ficou revoltado com a atitude desumana do seu mestre:” -Como podemos destruir a única fonte de sobrevivência dessa família?”
Relutou um pouco, mas limitou-se a cumprir a ordem do mestre. Alguns anos depois, o jovem , retornando sozinho àquela região, resolveu dirigir-se ao sítio daquela família que lhes hospedara.
Chegando lá, qual não foi o seu espanto quando verificou que o local havia mudado muito. O casal que vinha em sua direção era o mesmo, mas estava feliz. As crianças cresceram e, agora, já quase adolescentes, estavam bonitas, bem nutridas. Tudo havia passado e para melhor: horta, frutas, galinhas, animais diversos passeavam pelo sítio. O jovem, não acreditando no que via e ainda sentindo-se culpado, questionou:”- Como é possível vocês terem progredido tanto?!”
Ao que o casal respondeu: “- Quando vocês estiveram aqui a nossa situação não era das melhores. Tínhamos só uma vaquinha e toda a nossa sobrevivência vinha dela. Logo após a saída de vocês, aconteceu uma tragédia – nossa vaquinha caiu num precipício. Entramos em desespero, mas, daí em diante, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver outros meios de sobrevivência. Descobrimos que a nossa terra era fértil e boa para legumes e frutas. Fomos, aos poucos, criando gosto e hoje é essa beleza que o senhor está vendo. Graças à perda da nossa vaquinha.”

Daqui partiu a minha inspiração! Contar para você como estou cuidando do meu jardim a partir de agora... E também a inspiração de contar a história de tantas pessoas por aí, que um dia já estiveram por lá e aprenderam a cuidar do seu jardim!!!

Ano 13 só podia dar nisso...


A Vaquinha acaba de ir para o brejo... Chego em casa, corro para a internet... preciso ver como é a vida no brejo. E encontro isso no youtube! Sensacional!!!! O brejo é legal!!!