Este blog conta a minha história. História de uma pessoa que já caiu e já se levantou algumas vezes. Sofri uns baques duros da vida, mas não os classifico como piores, mais doloridos ou mais trágicos do que os seus, do que os de todo mundo. Os classifico apenas como minhas dores.
E muito forte na minha vida foi a espera pelo príncipe encantado, no cavalo branco, com aquela capa vermelha e esvoaçante .... Esta cena ouso dizer que é até mais linda e romântica do que as cenas da Branca de Neve, da Cinderela e nem sei mais quais delas... E esta cena seria um milagre.... que óbvio não aconteceu!
E muito forte na minha vida foi o desejo de ser madame. Esposa de marido bem sucedido, que faz massagem no meio da tarde, que faz ginástica no meio da manhã, que entre uma atividade e outra de uma vida muito ocupada.... participa de ONGs e faz aulas de pintura e isso e aquilo. E esta cena seria possível pois é a realidade de algumas mulheres, mas este milagre para mim também não aconteceu!
No meio de tanta espera veio a Dona Morte, que levou o marido promissor... Veio a realidade que me deixou aqui... Sem saber o que fazer, mas sem saber o que fazer MESMO.
Já se passaram alguns anos da partida, e durante estes anos por muitos dias fiquei sentada no sofá esperando, esperando..... e chegou.... a depressão, o vazio, a tristeza, a falta de perspectiva. Corpo parado, cabeça sonhando com o impossível, coração partido e.... milagre, oh milagre!!! Cadê você meu filho!? Não veio.
Não vieram os milagres "desejados", mas vieram pessoas que me deram a mão. O namorado aconselhando fazer um plano de carreira, a amiga fazendo acordar para a realidade, a janela da cortina fechada deixando o ambiente cada dia mais escuro, a decisão de procurar ajuda.
Da decisão a ação, procurar e encontrar: uma empresa de recolocação profissional que me fez encontrar uma terapia que me fez encontrar coisas que me dão prazer e fazê-las, que me fez estudar, que me fez conhecer pessoas novas, que me fez participar da vida escolar do meu filho, que me fez olhar para dentro, ver e sentir a beleza de ser eu. Ver em cada passinho e em cada acontecimento da minha vida um milagre.
Assim pequenos milagres se transformam na pessoa especialmente feliz que sou, na pessoa que se sente amada e que sabe amar que eu sou.
Ainda não fiz grandes coisas e nem quero fazê-las. Quero fazer pequenas coisas, mas quero fazê-las todos os dias. Caminhar feliz para me encontrar com meus objetivos (já não são só sonhos mais) logo ali na frente, depois da caminhada necessária e depois de colecionar todos os milagres que eu faço por mim, pela minha vida.
Agora eu sei, o milagre está em mim. Está nas coisas que sei fazer. Esta na minha caminhada! E por isso já não dá mais para caminhar com os pés e sapatos dos outros. Tem que ser com os meus mesmos, lindos, apertados, confortáveis, novos, velhos. Meus milagrosos sapatinhos.... um passo de cada vez.... um baú de milagres a colecionar!
E para meu amigo, que me inspirou este post, quero deixar a mensagem... Diminua sua cabeça, aumente seu coração, vista seus sapatos e "LUZ, CÂMERA, CORAÇÃO". Vai valer a pena. Pode crer.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Ostra feliz não faz pérola
Nesta última semana conheci um montão de gente nova, gente que jamais teria conhecido se não estivesse ido lá.....
Entre um papo e outro, uma pessoa virou para mim e perguntou:
- Rinara, é verdade que você é viúva?
- Sim. há 6 anos.
E como sou muito faladeira, contei toda a história.... E veio a pergunta:
- E você já se recuperou? Quanto tempo levou para se recuperar?
Não me lembro bem a resposta, mas não me esqueço desta pergunta. Fui para casa pensando nisso e em tantas outras coisas que aprendi, que passei e que vivi.... Agora tenho condições de responder:
São muitas coisas a serem recuperadas num processo de perda, pelo menos para mim! E divido a minha resposta em 3 partes.
Da ausência da pessoa amada, sim já me recuperei. E me recuperei porque tenho certeza que durante o tempo que vivemos intensa e exclusivamente sua doença, fui além das minhas forças e das minhas possibilidades para proporcionar bem-estar para meu marido e para meus filhos, para fazê-lo se sentir amparado e para aparar todas as arestas que "construímos" na nossa convivência. Me entreguei de corpo, alma e serviço e isso me deu a libertação na sua partida. Fiz o melhor. Fiz a minha parte.
Da ausência da família, não. Não me recuperei e nem sei se vou me recuperar.... Muuuitas coisas ficaram por fazer. Comprar a primeira, a segunda, a última casa. Fazer a viagem dos sonhos. Estudar os filhos. Formar os filhos. Casar os filhos. Ver os netos nascerem. Todas essas coisas, todas estas datas que vão acontecer, mas que sempre vai faltar a foto completa, a festa completa. Enfim.... sempre vai faltar.
Das realizações financeiras, do trabalho, das conquistas. Este estou em processo... andando um passinho de cada vez, agora com um lugar para chegar. Confesso que entre 2007 e 2012 só fiquei em algum lugar, esperando alguma coisa acontecer. E nada acontecia.
De repente acordei do pesadelo e vi que eu precisava fazer as coisas por mim. Depois que comecei a construir um caminho, a fazer coisas pequenas, comecei a andar devagarinho estou chegando aqui.... no início do caminho da minha recuperação. Agora tenho sonhos, agora tenho metas, agora tenho que atingir o alvo, agora tenho pessoas que passaram por minha vida e que me ajudaram a abrir a cortina, a janela, sentir o cheiro do mato, da vida, dos acontecimentos, sentir o cheiro da chuva, ver o arco-íris.
Sou feliz sim. Estou realizando sim. E estou me recuperando ainda. Estou fazendo minha pérola para meus filhos, para o mundo, para eu ter orgulho da minha história, durante e ao final da minha caminhada! Sou ostra feliz, com um grão de areia dentro do peito, que me faz sentir a dor.... a dor que faz a pérola nascer.
Entre um papo e outro, uma pessoa virou para mim e perguntou:
- Rinara, é verdade que você é viúva?
- Sim. há 6 anos.
E como sou muito faladeira, contei toda a história.... E veio a pergunta:
- E você já se recuperou? Quanto tempo levou para se recuperar?
Não me lembro bem a resposta, mas não me esqueço desta pergunta. Fui para casa pensando nisso e em tantas outras coisas que aprendi, que passei e que vivi.... Agora tenho condições de responder:
São muitas coisas a serem recuperadas num processo de perda, pelo menos para mim! E divido a minha resposta em 3 partes.
Da ausência da pessoa amada, sim já me recuperei. E me recuperei porque tenho certeza que durante o tempo que vivemos intensa e exclusivamente sua doença, fui além das minhas forças e das minhas possibilidades para proporcionar bem-estar para meu marido e para meus filhos, para fazê-lo se sentir amparado e para aparar todas as arestas que "construímos" na nossa convivência. Me entreguei de corpo, alma e serviço e isso me deu a libertação na sua partida. Fiz o melhor. Fiz a minha parte.
Da ausência da família, não. Não me recuperei e nem sei se vou me recuperar.... Muuuitas coisas ficaram por fazer. Comprar a primeira, a segunda, a última casa. Fazer a viagem dos sonhos. Estudar os filhos. Formar os filhos. Casar os filhos. Ver os netos nascerem. Todas essas coisas, todas estas datas que vão acontecer, mas que sempre vai faltar a foto completa, a festa completa. Enfim.... sempre vai faltar.
Das realizações financeiras, do trabalho, das conquistas. Este estou em processo... andando um passinho de cada vez, agora com um lugar para chegar. Confesso que entre 2007 e 2012 só fiquei em algum lugar, esperando alguma coisa acontecer. E nada acontecia.
De repente acordei do pesadelo e vi que eu precisava fazer as coisas por mim. Depois que comecei a construir um caminho, a fazer coisas pequenas, comecei a andar devagarinho estou chegando aqui.... no início do caminho da minha recuperação. Agora tenho sonhos, agora tenho metas, agora tenho que atingir o alvo, agora tenho pessoas que passaram por minha vida e que me ajudaram a abrir a cortina, a janela, sentir o cheiro do mato, da vida, dos acontecimentos, sentir o cheiro da chuva, ver o arco-íris.
Sou feliz sim. Estou realizando sim. E estou me recuperando ainda. Estou fazendo minha pérola para meus filhos, para o mundo, para eu ter orgulho da minha história, durante e ao final da minha caminhada! Sou ostra feliz, com um grão de areia dentro do peito, que me faz sentir a dor.... a dor que faz a pérola nascer.
terça-feira, 11 de março de 2014
Fé
Meu último post terminou
assim...
"E agora quero
PALPITES e PALPITES e PALPITES! ...Se eu fosse você... "
Quando eu o escrevi,
sabia que corria um enorme risco de não ser respondida, ou melhor, de não
sensibilizar ninguém, mas corri o risco. Tentei!
Ainda não tinha recebido
uma mensagem sequer a respeito do post. Não fiquei frustrada, mas fiquei
imaginando o porque deste fracasso.... Penso em algumas hipóteses:
- ninguém quis se
arriscar a dar palpites num assunto tão sério;
- as pessoas cada que
passa se interessam menos pelos outros;
- que frescura dessa
menina, quer palpite pra que, a vida dela já é muito boa;
- que eu devo me meter
menos na vida dos outros, isso talvez esteja fora do moda, se é que algum dia
já esteve lá, enfim....
Mas no último final-de-semana
eu tive uma surpresa!!! Recebi uma mensagem e parte dela dizia assim: "Espero
que encontre seu sonho, mas continue sempre se divertindo no caminho..."
Esta frase está me fazendo pensar muito! Achei fantástica. Achei esta frase "eu". Preciso e me divirto. Preciso também me organizar. Organizar a alma, os sentimentos, o pensamento, a vontade!
Eu achava que estava bem, tudo bem. Sou uma pessoa recuperada, já virei a página e tal, mas não é assim. Tem um tempo que fiz um curso que se chama organização de armários. Quando eu o concluí, mesmo durante, eu percebi que nada estava bem! Assim como minha casa estava desorganizada meus pensamentos e sentimentos também estão. E a organização pode começar de fora, o importante é começar... Comecei arrumando armários, já se vão várias semanas nesta labuta. Quanta coisa desnecessária tenho na minha vida! Tanto lixo ocupando espaço. Tanta coisa velha impedindo o novo de se fazer presente. Contas velhas.... roupas velhas, rasgadas, comidas por traça.... sapatos estragados.... papéis.... pilha que não funciona..... remédio vencido...... e no meio de tanta coisa eu encontrei:
"Queridos familiares,
Eu sei o quanto vocês
estão sofrendo
tanto com a perda , que
estão fracos,
com dores, chorando dia e
noite. Eu
sei disso pois é o que
estou passando
agora, mas uma coisa que
aprendi
nestes 2 meses foi,
qualquer que seja
a tristeza, a falta dele
, o nosso sofrimento,
ele já está em um ótimo
lugar, à Direita
de Deus e nos ajuda lá de
cima, como
uma estrela. Eu escrevi
isto pois já
estava cançado de guardar
isso para mim.
Eu sinto amor, ódio,
tristeza e dor mas
sei que ele estará para
sempre no
nosso lado."
13/11/2007
Guilherme Cunha Ribeiro
Não estou inventando, não estou criando. É verdade. Palavras de uma criança de 11 anos, que acabara de perder o pai, mas que jamais perdeu a fé!
Esta fé vem com certeza me acompanhando desde a notícia do fim. Desde tudo que passei no meio. Desde o novo início. E dela não largo e ela me faz em minutos ou horas, depois de acordar de mal-humor porque a vida não está do jeito que planejei, porque não sou madame, porque tenho que cumprir a obrigação e etc etc etc, sorrir e me divertir no caminho.
A melhor mensagem!
Esta fé vem com certeza me acompanhando desde a notícia do fim. Desde tudo que passei no meio. Desde o novo início. E dela não largo e ela me faz em minutos ou horas, depois de acordar de mal-humor porque a vida não está do jeito que planejei, porque não sou madame, porque tenho que cumprir a obrigação e etc etc etc, sorrir e me divertir no caminho.
A melhor mensagem!
Um bom momento:
organizar!
A fé de que a minha vida
é traçada por Deus e eu tenho que andar. Em frente, para frente. That´s all folks.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Vem! Me ajude! Me ilumine! Amém!!!
Estou há muito tempo afastada daqui... Estou há algum tempo
me afastando de mim! Desde que fui para o brejo, venho enchendo minha vida de
sonhos e planos. Uma vontade enorme de fazer diferente. Fechar um livro e
guardar ali no cantinho. Abrir outro em branco! Passei dias de muita euforia...
deslumbrada com as possibilidades, com a vida de à toa, não podia ser vida de madame
porque não tinha rendimentos e muito menos mesada... Mas ser dona do meu tempo,
do que eu queria fazer foi maravilhoso e chego a acreditar que seja um dom! Que
seja algo que poucos conseguem.
Muito pouco tempo depois dessa euforia e deste encantamento,
sou convidada a voltar a trabalhar em uma empresa, com TI... enfim, voltar para
a janela da cortina fechada. Aqui não tem cortina, as janelas estão no alto,
são estreitas e dá para ver só um pedacinho do céu. Não dá para ser dona baratinha, muito menos
para passar o olho no que acontece lá fora. Para isso tenho que me levantar e
andar até a porta... e na porta me
deparar com uma área enorme, meio verde meio cinza, com alguns quero-quero
andando, voando, cantando, um pé de goiaba, às vezes um pica-pau. Estou em
Contagem, longe de casa o dia inteiro.... Vivo para trabalhar e trabalho para
sobreviver. Abri mão da convivência do dia com meus filhos, abri mão de tentar
escrever um livro diferente e fico aqui, olhando por esta frestinha e pensando:
Será que estou certa? Vem uma sensação enorme de que estou parada, estagnada,
sem jeito de ser alguma coisa... cada dia mais sufocada! E fico pensando o quão
dramática estou sendo?!
Penso pouco no desejo antigo de ser madame. A terapia me libertou destes pensamentos que pouco me ajudam a andar para frente.
Penso muito no motivo de tanta falta de realização e tanta falta de emoção, a
resposta que vem é a falta do sonho... Sonho que nunca tive
sonho difícil de ter.
Para 2014 tenho metas muito diferentes das que tive até
agora. Não quero mais viver para trabalhar! Quero trabalhar para viver. Viver
bem! Viver em paz! Viver feliz! Viver produtiva! Quero encontrar um sonho e lutar por ele, para
me fazer ainda mais corajosa. Para ter a coragem de colocar a luz no fim do
túnel e não me cansar de andar para chegar até ela. Independente dos buracos,
das curvas, da estrada... da longa e sinuosa estrada...
Para isso estou aqui hoje, duas cabeças pensam melhor do que
uma, muitas cabeças pensam melhor ainda! Quero sua opinião. Que tanto devo ser
corajosa? Que tanto devo me arriscar? Que sonho devo ter? Sou uma pessoa que
adora dar palpite na vida dos outros... faça assim, faça assado, veja como é fácil!
E agora quero PALPITES e PALPITES e PALPITES! Palpites para me inspirar,
palpites para me aterrissar, palpites para me emocionar, enfim palpites! Comece seu palpite assim:
Se eu fosse você... E se você não quer dar palpites, que tal me contar uma história de um sonho realizado!?
Prometo que um vai ganhar um presentinho da Vaquinha... da Vaquinha que foi pro brejo!
Se eu fosse você... E se você não quer dar palpites, que tal me contar uma história de um sonho realizado!?
Prometo que um vai ganhar um presentinho da Vaquinha... da Vaquinha que foi pro brejo!
Vem! Me ajude! Me ilumine! Vou ser grata!
Amém!!!
Escreva para: rinara.ribeiro@hotmail.com
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