e do dia 24.maio.2007 a 13.setembro.2007, à medida em que a barriga ia crescendo a esperança ia diminuindo. O Marido iria morrer e o filho iria nascer. Isso mesmo, estávamos grávidos!
Foram 100 dias para a despedida. Foram 100 dias de espera por um milagre. A vida ou Deus não poderiam ser tão maus com uma família daquele jeito. Mas a vida é a vida. Deus é Deus... e neste tempo o que tivemos foi a passagem de pessoas belíssimas na nossa casa...
D. Neusa e D. Aglaê que iam até nós, diariamente, para nos trazer momentos de oração e a comunhão com Deus.
O grupo de orações do Colégio Santa Dorotéia que passei a frequentar às quartas-feiras.
Meus cumpadres e hoje irmãos, Betina e Vinícius, que não nos desampararam e principalmente não desampararam o irmão um minuto sequer.
Meu sobrinho Konrado que esteve presente em gestos lindíssimos e de puro amor.
Minha irmã me gerenciando nas funções hospitalares lá da Austrália.
Meus pais em oração, promessas e apoio diário.
A casa que até então era banhada de música, cervejinha nas noites de quinta, sexta e finais-de-semana, jantares e comemorações, encontros no Shopping depois de um dia de trabalho, via sacra pelos botecos da cidade, idas ao Minas... ficou doente. Toda a família ficou doente.
Uma grande lição que tirei deste acontecimento: Uma pessoa da família doente --> família doente.
E então o marido morreu. Levou com ele o pai dos meus filhos, o homem culto, inteligentíssimo, dedicado, estudioso, esforçado, gentleman e a minha chance de ser Madame.
Do sonho e de todo o investimento que tinha feito até então, me sobrou a chance de ser provedora.
Provedora dos filhos, provedora da casa, provedora de exemplos, provedora da alegria de novo. E no dia 13.setembro.2007, não por acaso, nossas vidas ficaram amarradas para sempre. E nossas datas passaram a ser...
13.setembro.2007 - 05:00 - morre o pai
19.setembro.2007 - aniversaria o filho mais velho. Não fiz, aqui em BH, missa de sétimo dia. Fiz bolo e cantei parabéns para o Gui.
13.outubro.2007 - 07:20 - estréia do Bi na terra, ao som de música clássica, pelas mãos do Dr. das gravidezes impossíveis, Frederico José Amedee Peret.
Bi que hoje, véspera de completar 6 anos, tenta racionalizar quem e como é a sua família. A sua história. A morte está se fazendo presente em consciência. A estrelinha está deixando de ser pai, para ser um elemento do universo.
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